A Maçonaria em Portugal ( 1ª. parte )
A
Maçonaria é uma Ordem universal, progressista, filosófica e filantrópica.
Está
aberta a todas as pessoas, de quaisquer credos, ideologias, raças e
misteres,
que se identifiquem com os seus objetivos. Foram e são seus membros,
reis e
presidentes da República, intelectuais, artistas e operários, aristocratas,
cientistas
e plebeus, militares e ministros do culto.
A
Maçonaria sempre esteve na vanguarda dos movimentos de libertação
do
homem, inspirando as mais belas páginas da História: as proclamações
dos
Direitos Humanos e da criança, a abolição da escravatura e da pena
de
morte, a luta anticolonialista, o sufragismo universal, a igualdade de
raças e
de sexos. Em Portugal fundou o Sinédrio, combateu ao lado do
Grao‑‑Mestre D. Pedro
IV contra o absolutismo, do maçon Machado Santos,
fundador
da República, e dos Capitães de Abril na restauração da
democracia.
Os primeiros presidentes dos Governos Provisórios emergentes
das
Revoluções de 5 de Outubro de 1910 e de 25 de Abril de 1974 foram
os maçons Teófilo Braga e
Adelino da Palma Carlos.
Desde o
seu advento no nosso país esteve sempre representada nos mais
altos
cargos do Estado e da administração. Promoveu as leis do divórcio,
do
registo civil e da instrução primária obrigatória. Ajudou a redigir as
Constituições
liberais e republicanas. Inspirou a criação de centenas de
instituições
culturais, científicas e de solidariedade de que se destacam
o Teatro
Nacional, os Rotários, o Montepio Geral, a Voz do Operário, a
Universidade
Popular, os jardins‑Escolas João de Deus, os Asilos de S. João
de
Lisboa e do Porto, e a Academia das Ciências de Lisboa, a quem deu
o primeiro presidente, o
Duque de Lafões.
Foi
perseguida e caluniada. Os comunistas acusaram‑na
de
reacionária e aliada dos grandes interesses financeiros. Os fascistas apodaram‑na
de plutocrática
e ligada ao comunismo e judaísmo internacionais. A Igreja
crismou‑a de «herética
pravidade», ao serviço do demónio...
No
entanto, a Maçonaria é apenas uma associação fraternal de pessoas
livres e
honradas ou, no dizer do rei Frederico II da Prússia (Séc.XVIII), de «homens
tranquilos, virtuosos e respeitáveis», que procuram a verdade, lutam pela
justiça e querem tornar‑se melhores para, assim, participarem na edificação
de uma sociedade mais justa. Não discute política nem religião, pratica o livre‑pensamento e a
tolerância.
Diremos,
porém, desde já, que o objetivo essencial da Maçonaria é o
aperfeiçoamento
moral e espiritual dos seus membros e a defesa da moral
universal.
Esta função escapa aos partidos e a outras organizações, e é
assaz
relevante numa sociedade cada vez mais desumanizada e mercenária,
que
perdeu quase todas as referências etico‑culturais e erigiu o
dinheiro
como
valor supremo. Por outro lado, os partidos são, em geral, simples máquinas
de
conquista do poder; praticamente despojados dos seus princípios
programáticos
por um carreirismo desenfreado e tentacular, que ameaça
subverter o ideal
democrático, ele próprio uma conquista da Maçonaria.
Ora,
pertencendo ou simpatizando os maçons com as várias correntes
partidárias,
poderão aí, mais frutuosa e consistentemente, pugnar pela
efetivação
das reformas necessárias à construção da nova sociedade. De
facto, a
Maçonaria não intervém, e não deve intervir, como tal, na vida
política.
A sua influência manifesta‑se apenas indiretamente, através da
ação
individual e do exemplo dos seus filiados. E sendo a Ordem Maçónica
um
espaço de diálogo fraterno entre pessoas de todas as ideologias democráticas,
pode e
deve continuar a desempenhar, por esta via, um papel importante no
aperfeiçoamento das instituições, insuflando‑lhe os valores morais que
são o ágio e timbre de um verdadeiro maçon.
(…)A
Maçonaria é apenas uma Fraternidade que se julga depositária de valores
ancestrais e que procura dar resposta às profundas inquietações que, desde os
arcanos da História, palpitam no coração do homem.
