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ORDEM MISTA MAÇÓNICA
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A Maçonaria em Portugal ( 1ª. parte )

Março 13, 2019 às 21:55, Nenhum comentário

A Maçonaria é uma Ordem universal, progressista, filosófica e filantrópica.

Está aberta a todas as pessoas, de quaisquer credos, ideologias, raças e

misteres, que se identifiquem com os seus objetivos. Foram e são seus membros,

reis e presidentes da República, intelectuais, artistas e operários, aristocratas,

cientistas e plebeus, militares e ministros do culto.

A Maçonaria sempre esteve na vanguarda dos movimentos de libertação

do homem, inspirando as mais belas páginas da História: as proclamações

dos Direitos Humanos e da criança, a abolição da escravatura e da pena

de morte, a luta anticolonialista, o sufragismo universal, a igualdade de

raças e de sexos. Em Portugal fundou o Sinédrio, combateu ao lado do

Grao‑‑Mestre D. Pedro IV contra o absolutismo, do maçon Machado Santos,

fundador da República, e dos Capitães de Abril na restauração da

democracia. Os primeiros presidentes dos Governos Provisórios emergentes

das Revoluções de 5 de Outubro de 1910 e de 25 de Abril de 1974 foram

os maçons Teófilo Braga e Adelino da Palma Carlos.

Desde o seu advento no nosso país esteve sempre representada nos mais

altos cargos do Estado e da administração. Promoveu as leis do divórcio,

do registo civil e da instrução primária obrigatória. Ajudou a redigir as

Constituições liberais e republicanas. Inspirou a criação de centenas de

instituições culturais, científicas e de solidariedade de que se destacam

o Teatro Nacional, os Rotários, o Montepio Geral, a Voz do Operário, a

Universidade Popular, os jardins‑Escolas João de Deus, os Asilos de S. João

de Lisboa e do Porto, e a Academia das Ciências de Lisboa, a quem deu

o primeiro presidente, o Duque de Lafões.

Foi perseguida e caluniada. Os comunistas acusaram‑na

de reacionária e aliada dos grandes interesses financeiros. Os fascistas apodaram‑na

de plutocrática e ligada ao comunismo e judaísmo internacionais. A Igreja

crismou‑a de «herética pravidade», ao serviço do demónio...

No entanto, a Maçonaria é apenas uma associação fraternal de pessoas

livres e honradas ou, no dizer do rei Frederico II da Prússia (Séc.XVIII), de «homens tranquilos, virtuosos e respeitáveis», que procuram a verdade, lutam pela justiça e querem tornar‑se melhores para, assim, participarem na edificação de uma sociedade mais justa. Não discute política nem religião, pratica o livre‑pensamento e a tolerância.

Diremos, porém, desde já, que o objetivo essencial da Maçonaria é o

aperfeiçoamento moral e espiritual dos seus membros e a defesa da moral

universal. Esta função escapa aos partidos e a outras organizações, e é

assaz relevante numa sociedade cada vez mais desumanizada e mercenária,

que perdeu quase todas as referências etico‑culturais e erigiu o dinheiro

como valor supremo. Por outro lado, os partidos são, em geral, simples máquinas

de conquista do poder; praticamente despojados dos seus princípios

programáticos por um carreirismo desenfreado e tentacular, que ameaça

subverter o ideal democrático, ele próprio uma conquista da Maçonaria.

Ora, pertencendo ou simpatizando os maçons com as várias correntes

partidárias, poderão aí, mais frutuosa e consistentemente, pugnar pela

efetivação das reformas necessárias à construção da nova sociedade. De

facto, a Maçonaria não intervém, e não deve intervir, como tal, na vida

política. A sua influência manifesta‑se apenas indiretamente, através da

ação individual e do exemplo dos seus filiados. E sendo a Ordem Maçónica

um espaço de diálogo fraterno entre pessoas de todas as ideologias democráticas,

pode e deve continuar a desempenhar, por esta via, um papel importante no aperfeiçoamento das instituições, insuflando‑lhe os valores morais que são o ágio e timbre de um verdadeiro maçon.

(…)A Maçonaria é apenas uma Fraternidade que se julga depositária de valores ancestrais e que procura dar resposta às profundas inquietações que, desde os arcanos da História, palpitam no coração do homem.

 

 António Arnaud

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