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ORDEM MISTA MAÇÓNICA
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Origens da Maçonaria

Março 26, 2019 às 22:30, Nenhum comentário
A origem da Maçonaria antiga está envolta na névoa dos tempos, das
lendas e dos mitos. Alguns fazem mergulhar as suas raízes aos mistérios
persas ou dos magos, dos Brâmanes (5.000 anos), dos egípcios (Isis e
Osíris — 3.000 anos), dos gregos (Cabyres, Ceres e Elêusis — 2.000 anos),
dos judeus (especialmente dos Essénios e de Salomão), dos romanos
(culto de Mitra) dos Galo‑Celtas
(Druidas) e mais modernamente, à Ordem
dos Templários, fundada em 1117.
Todos estes mistérios destinavam‑se
a reservar a certas elites os segredos
da religião, da astronomia, da filosofia, das artes e das ciências
primitivas, como a alquimia. Só eram revelados pela iniciação dos escolhidos,
através de uma linguagem figurada e simbólica, que deu origem
a diversos rituais de que ainda há vestígios na Ordem Maçónica. Cristo
teria sido iniciado, e a sua doutrina seria a revelação dos mistérios Essénios.

Há também quem, embora admitindo a influência do hermetismo antigo,

entenda que a Maçonaria nasceu com a construção do Templo de

Salomão (Séc. X a.C.), ele próprio iniciado nos mistérios de Elêusis, e

está ligada ao mito bíblico de Hiram, ou Hiram Abiff, o seu arquiteto.

O Templo, símbolo da Tolerância, demorou sete anos a construir e

empregou cerca de 100.000 operários, incluindo 8.000 pedreiros. Como

era impossível conhecer tantos servidores, Hiram classificou‑os em três

graus ou categorias — aprendizes, companheiros e mestres — e deu‑lhes,

para os reconhecer e se reconhecerem entre si, palavras e toques conforme

o grau. Tais sinais, à exceção dos de mestre, que se perderam com a

sua morte, são os mesmos ainda hoje usados em todos os ritos da Maçonaria.

Quando o Templo estava quase concluído, três maus companheiros,

não tendo logrado alcançar a mestria e o respetivo salário, conjuraram‑se

para extorquir de Hiram os sinais de mestre. Esconderam‑se, cada um,

em uma das três portas do Templo, numa tarde em que o arquiteto, depois

da saída dos operários, inspecionava os trabalhos.

Quando Hiram saía pela porta do ocidente, o primeiro companheiro,

armado com uma régua, impediu‑lhe

a passagem, pedindo‑lhe a palavra

sagrada e o sinal do grau. O Arquiteto recusou e o traidor desferiu‑lhe

uma paulada, que o atingiu no ombro. Hiram fugiu para a porta do norte,

onde estava o segundo companheiro que agiu da mesma forma e, perante

igual recusa, lhe vibrou uma pancada com o esquadro. Hiram tentou então

escapar‑se pela porta do oriente, mas foi interpelado pelo terceiro companheiro

que, tendo feito a mesma exigência e recebido idêntica recusa o

agrediu violentamente na fronte com um maço, provocando‑lhe

a morte.

Os assassinos transportaram a vítima para fora da cidade e enterraram‑no

em local assinalado com um ramo de acácia. Ali foi encontrado, mais

tarde, pelos outros mestres. Segundo a lenda, estes haviam combinado

que o primeiro sinal que fizessem e as primeiras palavras que proferissem

ao descobrirem o cadáver, ficassem para sempre como o sinal e a palavra

sagrada de mestre. Quiseram, assim, acautelar a eventualidade de os

sinais correspondentes ao grau terem sido descobertos pelos assassinos.

Tais palavras e sinais, que apenas são revelados quando um companheiro

ascende ao grau de mestre, ainda hoje são utilizados. Também os

graus estabelecidos por Hiram constituem, tantos séculos volvidos, os

três primeiros graus da Maçonaria. Aliás, a reconstituição da lenda faz

parte essencial do rito de elevação à condição de mestre maçon.

O assassínio de Hiram interrompeu os trabalhos e o Templo de Jerusalém

ficou por concluir, sendo mais tarde destruído pelos caldeus e pelos romanos.

Os maçons procuram desde então a palavra de Mestre, a fim de o poderem

reconstruir. Esta palavra perdida é a essência do segredo maçónico.

A sua descoberta permitirá a ressurreição simbólica do arquiteto e a construção

do novo «Templo», símbolo da fraternidade universal.

Estas lendas e mitos não têm confirmação histórica, salvo a existência

de Hiram, que vem referido na Bíblia (Primeiro Livro dos Reis, Vll‑13‑14).

Porém, as lendas e os mitos não são mais do que alegorias de uma realidade

perdida. E, sem dúvida que a Maçonaria, como ideal de transformação

do mundo e de conhecimento da origem e destino do homem, é tão antiga

como a Humanidade. A sobrevivência, nos seus rituais, de símbolos e signos

milenários é a prova de que guarda, nos seus escaninhos secretos, a

essência da sabedoria remota.


António Arnaud


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